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Ute Craemer

Ute Craemer nasceu em Weimar, na Alemanha, em 1938 e esteve em muitos países arrasados pela Segunda Guerra Mundial. Quando tinha três anos de idade, sua família se mudou para a Áustria, que havia sido invadida pelos alemães. Quando a Guerra acabou, em maio de 1945, a família de Ute sobreviveu com pouca comida e condições. Ela ainda se lembra de sua mãe pedindo comida para lavradores. Seu pai, engenheiro, primeiro obteve um trabalho na Yugoslávia, depois no Egito e mais tarde no Paquistão. No momento em que sua família retornava para a Alemanha, agora dividida em duas nações, Ute estudou em dez diferentes escolas, cinco países e aprendeu quatro línguas diferentes.

Depois de ter passado por um amplo aprendizado de línguas durante a sua infância, Ute decidiu atuar nessa área. Ela terminou seus estudos em 19620 e se engajou em serviços sociais, através dos quais chegou ao Brasil. Então, morou em Londrina (Paraná) por dois anos, trabalhou como ajudante na urbanização da cidade e, guiada por um monge franciscano, realizou ações que visavam a erradicação de favelas,.

Ute retornou para a Alemanha para estudar e aprender mais sobre a Pedagogia Antroposófica, assim como doutrinas espirituais e místicas baseadas em teosofia. Voltou para o Brasil, obtendo um trabalho em São Paulo em uma escola antroposófica assim nomeada antes do austríaco filósofo Rudolf Steiner (1861-1925).

 Durante esse período, abrigou dois rapazes que havia conhecido em Londrina. Em 1975 quatro crianças moravam com ela, das quais algumas ainda estão em sua companhia. Ela prefere permanecer solteira, alegando que “o homem brasileiro tem um jeito de dizer às pessoas o que fazer”.

 

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Nos anos setenta, Ute morava nas vizinhanças de uma favela e dava aulas para adolescentes na Escola Rudolf Steiner, baseada na Pedagogia Antroposófica. A característica dessa escola é que o professor segue com os mesmos alunos de classe durante oito anos, procurando ajudá-los não só no desenvolvimento intelectual, mas também moral. Essa educação valoriza e prioriza as artes e a formação de princípios éticos, permitindo que a criança amplie sua capacidade de julgar. Ute disse que ela “nunca abarcou tamanha responsabilidade”.

Diariamente, crianças da redondeza da favela batiam a sua porta e perguntavam se “teria algo para dar”. Falando com elas, Ute imediatamente concluiu que não estavam desprovidas apenas de recursos materiais, mas também “famintas de outras coisas”. Certa vez ela aceitou um convite das crianças para conhecer o local onde moravam, um bairro que naquele tempo não tinha nome. Ute registrou a primeira impressão do local: “Era tudo lama, barracas construídas com tábuas e papelão, uma sobre a outra e, no meio delas, água de esgoto correndo livremente”.

 

Depois disso, as crianças passaram a ir à casa de Ute não apenas para comer, mas também para pintar, desenhar, brincar no jardim. O espaço passou a ser pequeno. Uma vez, conversando com a mãe de um aluno da Escola Rudolf Steiner, Ute teve uma idéia e propôs aos alunos que ajudassem as crianças da favela.  Muito eufóricos, eles trouxeram novas e boas idéias: ensiná-los a ler, contar estórias, colagem, excursões. Ute acredita que isso foi bom tanto para as crianças da favela como para os alunos que puderam agora transmitir um pouco do que haviam aprendido em tantos anos de escola. Ela também acredita que, a interação entre crianças advindas de diferentes classes sociais, ajuda a elevar a consciência de que o mundo em que estamos inseridos, hoje precisa desse tipo de ação e compartilhamento. E que essa é uma atitude essencial para a humanidade. 

Ute começou a pedir dinheiro pra construir uma escola para crianças carentes. “Eu sempre estaria embaraçada, mas mesmo assim, pedia dinheiro de porta em porta”, ela se lembra. Ute escreveu tantas cartas solicitando ajuda que finalmente recebeu 10 000 marcos alemães de um advogado alemão chamado Luchterhandt. Com esse dinheiro ela fundou a ACOMA.

 

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July 15-22 2006

 

Para que uma árvore carregue frutas, necessita de ar, de terra boa, de sol, de água.  Para que o ser humano se abra e se desenvolva , necessita de alimento, proteção, e um coração aberto, que lhe dê o amor, e uma pessoa, que lhe ajude crescer. 

Ute Craemer de

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